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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Bruno Senna: “É agora ou nunca!”


Estou torcendo muito pelo sucesso de Bruno Senna na Fórmula-1. Chegou a sua hora. Aos 28 anos, o sobrinho de Ayrton Senna conquista o seu espaço e assinou um contrato de um ano. Competirá na Williams, equipe pela qual seu tio corria quando perdeu a vida em um acidente durante o Grande Prêmio de San Marino de 1994.

Sou um grande admirador do automobilismo em geral e da F-1 em especial. Como jornalista, comecei a cobrir corridas na época das Mil Milhas Brasileiras, nos anos 1960. Sou um dos pioneiros na divulgação do kart (com Wilson Fittipaldi, Cláudio Carsughi e o saudoso Durval Silva), no início das carreiras de Emerson Fittipaldi, José Carlos Pace e Wilson Fittipaldi Jr. Tive o privilégio de acompanhar as trajetórias dos campeões mundiais Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna. Portanto, desempenhos como os de Rubens Barrichello e Felipe Massa reduziram a minha motivação. Agora, volto a ter interesse pelas provas do Mundial de F-1, com Bruno. Talentoso, competente e batalhador, ele tem possibilidades de ser um piloto de sucesso. Conta com o apoio de Frank Williams, grande incentivador de Ayrton, que fará de tudo para oferecer a Bruno o melhor carro possível.

Bruno Senna está muito feliz, como confessou em entrevista coletiva. “Será muito interessante pilotar por uma equipe que teve meu tio como piloto, particularmente porque algumas pessoas daqui chegaram a trabalhar com o Ayrton. Esperamos trazer de volta algumas lembranças e criar outras novas também. Quero conquistar bons resultados para retribuir o apoio que meu país tem me dado e que me ajudou a conseguir esta vaga”, considerou o jovem piloto, que jamais se esquecerá do contato que tinha com o tio Beco.

"Minha convivência com Ayrton não foi muito longa – eu tinha 10 anos quando ele morreu, em 1994. Em compensação, foi bastante intensa. Minhas melhores recordações do tio Beco – era assim que eu o chamava – são as férias de verão em Angra dos Reis e os finais de semana na fazenda do meu avô em Tatuí (SP), onde a gente se divertia muito andando de kart. Acho que é desses períodos que ficaram alguns legados importantes do Ayrton. Ele sabia muito bem como um ambiente familiar estruturado foi fundamental para a formação de seu caráter e de sua personalidade. Ayrton gostava demais da nossa companhia e fazia questão de nossa presença. Ele deixou em mim essa forte ligação familiar. Minha mãe e minhas irmãs estão sempre comigo. Meu tio começou a correr incentivado pelo meu avô Milton – e comigo também foi assim. É provável que eu tivesse escolhido viver das corridas mesmo se Ayrton não fosse piloto, mas é claro que essa influência pesou. Fora das pistas a memória dele estará para sempre gravada também pelas obras sociais do Instituto Ayrton Senna", contou Bruno recentemente. “Sou orgulhoso de ser brasileiro e mais motivado do que nunca para mostrar o que posso fazer. Desde que sentei pela primeira vez em um kart nunca pensei em fazer outra coisa”.

A estréia de Bruno na Williams será dia 18 de março, em Melbourne, na Austrália. Será o início de um novo desafio.


"Estou sempre atrasado. Comecei a correr com 20 anos, enquanto muitos chegam à Fórmula-1 com essa idade. Nunca fiz uma pré-temporada na Fórmula-1. Na equipe da Hispania me apresentei para a primeira corrida sem um único treino. Na Renault entrei na 12.ª etapa, tive de descobrir tudo ali, na hora", disse Bruno.

Como seu estágio de preparação estava sempre abaixo do estágio dos adversários, Frank Williams e seu sócio, Adam Parr, submeteram Bruno a um vestibular, algo inédito na categoria, ao menos nesse nível. "Fiz testes de conhecimento técnico, trabalhos no simulador, além de avaliação física. Eles me levaram até para a pista, com um professor de pilotagem muito conceituado, Rob Wilson, para me analisar melhor." Só depois de confrontar os dados do processo seletivo Williams e Parr o aceitaram como piloto.

De acordo com o jornalista Livio Oricchio, com quem trabalhei no Estadão, tem importância capital na escolha do pacote financeiro de que Bruno dispõe o grupo OGX, de Eike Batista, a Embratel e a Gillette, que, estima-se, contribuirão com R$ 20 milhões (8 milhões) para o suposto orçamento de R$ 200 milhões ( 80 milhões), cerca de um terço dos recursos dos concorrentes, o que projeta uma temporada de dificuldades para a Williams, embora menores que as de 2011, a pior de sua trajetória na F1.

Como analisa Livio, a contratação de Bruno pela equipe inglesa está carregada de fortes emoções históricas. A perícia do acidente que matou Ayrton revelou "negligência" dos engenheiros da escuderia na modificação da coluna de direção, cujo rompimento tornou o carro sem condições de ser pilotado, lançando-o contra o muro da curva Tamburello. Mas Bruno já revelou não haver nenhum ressentimento dos Sennas com relação ao caso.

Enfim, Bruno Senna inicia seu um novo e importante desafio: "É agora ou nunca. A temporada é decisiva para a minha carreira", considera. O piloto deverá contar com o apoio e incentivo de todos os brasileiros, grandes admiradores de Ayrton Senna.

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