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sábado, 10 de dezembro de 2011

Paulista, a avenida que faz parte da nossa vida


PASSEIO IMPERDÍVEL - Olá pais e avós: imperdível o passeio com a criançada pela Avenida Paulista, de preferência caminhando. Melhor horário: das 20 às 22h. Sugestão vá da Augusta até a Pamplona, por exemplo, atravesse a avenida e volte pela outra calçada. Dá até para entrar no Trianon, que está iluminado (há policiamento). As fachadas dos edifícios estão muito enfeitadas e repletas de luzes. E o portal do Natal impressiona. A garotada merece.

Quando alguém pergunta onde nasci, costumo responder: “Logo ali, numa travessa da Avenida Paulista.” E é a pura verdade. Nasci na Maternidade São Paulo (que não existe mais), na Frei Caneca.

A Paulista sempre fez (e faz) parte da minha vida.

Nos anos 60, trabalhei na sede de um grupo empresarial situada em edifício quase na esquina da Peixoto Gomide.


Entre os anos 70 e 80, dei sequência a um importante período de minha carreira na Jovem Pan, no edifício Sir Winston Churchill, na esquina com a Joaquim Eugênio de Lima (e quem foi Joaquim Eugênio? Conto abaixo).

No mesmo período, também atuei na Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo), inclusive participando do processo de aquisição do imóvel da entidade.

Nos anos 90, prestei serviços à gerência de comunicação de um banco italiano localizado em prédio na esquina da Campinas.

De lá para cá, a família foi se envolvendo mais e mais com a Paulista. Minha filha Vanessa, que também nasceu na Maternidade São Paulo, já trabalhou na avenida, em empresa de relações humanas. Priscila, minha outra filha, trabalhou em empresa de tecnologia da informação... na Paulista.

Agora que minha avenida preferida está toda enfeitada para as festas do Natal, vou levar meu neto Felipe, de quase dois anos, para ver o Papai Noel, as luzes coloridas que cobrem os 2.800 metros da Paulista. E também o lindo Presépio da Maternidade Santa Catarina... onde ele nasceu. É, na Paulista.

TODO PAULISTANO
TEM ALGO A CONTAR


É certo que todo paulistano tem algo a contar sobre “a mais paulista das avenidas”, que está comemorando 120 anos. Inaugurada oficialmente em 8 de dezembro de 1891, ela foi a primeira via planejada da maior cidade do País e é considerada, até hoje, o principal cartão postal de São Paulo, o símbolo da capital.

Quando foi aberta por iniciativa do engenheiro Joaquim Eugênio de Lima, não passava de uma tentativa de criar na cidade uma nova área residencial, distante dos já consolidados bairros de Higienópolis e Campos Elíseos e dos arredores da Praça da República. Há 12 décadas, quando nasceu, só havia mato na região.


A abertura da avenida ao tráfego foi a assim divulgada em uma pequena nota na capa do jornal O Estado de S. Paulo: “Ao meio-dia, os primeiros bondes a cruzar a recém-inaugurada via partiram da Rua Boa Vista, no centro, com destino à Paulista.”

A Paulista já foi rota de passagem indígena, depois foi utilizada como caminho de tropeiros. Em todos os tempos, ela sempre teve importância. Por isso o urbanista Joaquim Eugênio de Lima pensou em fazer uma avenida nos padrões internacionais.

Tanto que foi pioneira: a primeira via paulistana a receber asfalto, importado da Alemanha, em 1909. Até então as ruas eram de terra ou cobertas por paralelepípedos.

Seu perfil foi mudando com a construção de casarões, que dela faziam, nas primeiras décadas do século passado, um dos endereços preferidos da alta sociedade paulistana.

No século 19, era impossível imaginar que uma colina que cortava parte de São Paulo viria a se tornar um dos principais centros financeiros da capital, com edifícios que a transformaram totalmente, por onde circulam diariamente cerca de 1,5 milhão de pessoas.


Se a cidade ganhou uma paisagem urbana única, que atrai a atenção de turistas, urbanistas e arquitetos de várias partes do mundo, também perdeu, de acordo com defensores do patrimônio histórico, com a demolição dos símbolos da São Paulo do início do século 20. Hoje, apenas cinco casarões continuam de pé.

De qualquer maneira, a avenida de 120 anos, com centenas de edifícios, mais de 90 antenas de emissoras de rádio e TV e inúmeros helipontos, é “a síntese do desenvolvimento da capital paulistana”, de acordo com Antônio Franchini, presidente da associação “Paulista Viva”.

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