sábado, 26 de setembro de 2009

O repórter do furo mundial


Um furo mundial é algo raríssimo de acontecer, especialmente hoje, com a globalização das comunicações. Mas não é impossível. Exemplo disso foi o recente furo mundial dado pelo jornalista brasileiro Reginaldo Leme. Ele teve a primazia de anunciar que o piloto Nelsinho Piquet, instruído pelo chefe de equipe Flavio Briatore, da equipe Renault, provocou um acidente no GP de Cingapura de Fórmula-1 de 2008, para beneficiar o outro piloto da equipe, o espanhol Fernando Alonso.

Somente às vésperas de nova corrida em Cingapura Reginaldo Leme revelou a sua fonte: quem passou a informação foi o pai do piloto brasileiro, o tricampeão mundial Nelson Piquet. A revelação surgiu na sua coluna “Grand Prix”, publicada semanalmente no jornal O Estado de S. Paulo. Os detalhes:

“Já era tarde. Naquele fim de semana, de posse de todas as informações do processo que havia sido detonado ali mesmo em Spa-Francorchamps, eu contei o que sabia durante a transmissão da corrida. Uma emissora como a TV Globo jogando no ar a notícia da apuração do escândalo. Portanto, não tinha mais volta. Só restou à FIA confirmar a existência do processo e até acelerar a sua conclusão. Hoje já posso dizer que eu recebi a informação do próprio Piquet, assim como as outras que alimentaram o noticiário nas semanas seguintes. Tudo feito na maior correção. Eu preservei a fonte. Ele fez com que eu fosse o primeiro a saber de cada novo acontecimento. Quando a FIA decidiu banir Briatore, eu fui acordado por um telefonema do Nelson às 7h da manhã. O cara sempre acorda cedo e ainda contava com um fuso horário de cinco horas para a Europa.

Hoje, revendo tudo, considero extremamente importante o fato de ele nunca ter isentado Nelsinho de culpa. Mas, passada a perplexidade de quando ficou sabendo do caso, ele passou a agir como pai, tentando entender a reação do filho de 24 anos à época do incidente, acuado pelo chefe de equipe com o poder de demiti-lo ou renovar o contrato para 2009. A minha primeira reação quando ouvi a história contada pelo pai foi perguntar se ele sabia que a revelação deixaria em risco a carreira de Nelsinho. Ele tinha plena consciência disso. Mas não hesitou em exigir do filho que procurasse a FIA para contar a verdade. E foi assim que tudo começou”.

E toda a história acabou sendo reconfirmada por Nelson Piquet pai em entrevista exclusiva ao Reginaldo levada ao ar no "Fantástico" da Rede Globo.













Reginaldo (na foto com Nelson Piquet) acumulou conhecimento, experiência e respeito por sua competência e caráter ao longo dos anos de cobertura de Fórmula-1. Repórter do Estadão, ele foi designado pelo editor Luiz Carlos Ramos para acompanhar a carreira de um piloto brasileiro que começava a se destacar na categoria, no início da década de 70. E passou a “perseguir” Émerson Fittipaldi pelos circuitos europeus, depois Nelson Piquet e assim por diante. Estivemos juntos, ele pelo Estadão e eu pela Folha de S. Paulo, em várias coberturas, inclusive na Copa do Mundo da Alemanha, em 1974. Logo depois, acompanhamos o lançamento do primeiro e único F-1 brasileiro, o Coopersucar-Fittipaldi. Depois, eu deixei a reportagem para ser editor de esportes da Folha em 75 e Reginaldo transferiu-se para a Rede Globo em 78, onde está até hoje.













Ao longo dos anos de cobertura da Fórmula-1, Reginaldo conheceu muitas personalidades mundiais, como o saudoso beatle George Harrison, outro grande amante do automobilismo. Encontraram-se em muitas oportunidades em vários autódromos do circuito da F-1, como na foto acima.

"Regi" é de Campo Grande (MS) e nasceu em 3 de janeiro de 1948. Em recente entrevista a Carlos Guimarães, de Car Magazine, Reginaldo contou alguns detalhes de sua vida. Seu gosto pelas competições vem desde a infância, quando costumava brincar com carrinhos de rolimã. Também fazia questão de assistir a todas as corridas e esteve em várias edições do Salão do Automóvel, quando sonhava não apenas com os carros, mas em ser um dos pilotos que as fabricantes convidavam para visitar os estandes.

Depois de se formar em jornalismo, começou sua carreira aos 20 anos, no jornal O Estado de S. Paulo. “O meu primeiro objetivo ao cursar jornalismo era trabalhar com esporte, mas ao iniciar a carreira no Estadão, comecei a me dedicar ao automobilismo, que naquela época recebia muito pouca atenção nos jornais. As primeiras linhas que escrevi sobre automobilismo resultaram em uma pequena cobertura da prova 500 km de Interlagos de 1968. Foi pouca coisa, mas saiu publicado. E a corrida não tinha nenhuma atração internacional”.

Criança, sonhava em competir, mas nunca tentou. “Morando no interior, não existia chance de começar. Quando vim para São Paulo, já aluno de universidade, comecei a assistir a todas as corridas que podia. Mas o sonho era outro. Eu queria ser jornalista automobilístico. Lembro-me das diversas vezes em que fui ao Salão do Automóvel e procurava ficar perto dos pilotos que visitavam o evento como convidados das fábricas. Eu olhava para eles e sonhava em ser uma pessoa do meio. Há alguns anos, escrevi uma coluna contando isso e comemorando o fato de ter conseguido. O título era Cheguei na Turminha. É um dos textos de que mais gostei de escrever”.

Com mais de 30 anos de convivência com Galvão Bueno,Reginaldo já teve problemas com o narrador. “É claro que já brigamos muito. Em 30 anos juntos, é impossível não haver desentendimentos. Mas temos uma convivência muito boa. Eu sei do que ele gosta da falar e ele sabe as minhas preferências. Nós enxergamos as corridas de uma maneira muito parecida. Eu, com a obrigação de me aprofundar mais nas informações de bastidores; ele, com a necessidade de narrar e transmitir emoção. Aprendi a identificar quando ele não está disposto a falar sobre algum assunto e respeito isso. Temos uma infinidade de episódios juntos e um dia tudo isso estará num livro. Eu pretendo escrever o meu livro, não sei se ele vai fazer o dele. Mas também já conversamos sobre a idéia de lançar um juntos”.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

"Rato", atrás dos marmanjos do kart


Os irmãos Émerson e Wilson Fittipaldi Júnior, ícones do automobilismo brasileiro. Eles abriram caminho para Piquet, Senna e tantos outros.

EM COTIA, A REUNIÃO DOS JOVENS KARTISTAS



No meio daqueles marmanjões todos, ele quase desaparecia. Pequeno, mirrado, esforçado, estava sempre correndo de um lado para outro, onde fosse necessário. Vestia um macacão surrado, usava um boné enterrado na cabeça. Tinha ferramentas em uma caixa e até no bolso traseiro daquele macacão azul desbotado. Dentuço, orelhas para trás, mais parecia um ratinho. Dai o apelido que ganhou dos grandões: “Rato”.

O kartódromo do Santa Cruz Week End Club, em Cotia, imediações da Capital de São Paulo, era o único existente na região naquele inicio de década de 60. E para lá se dirigiam todos os jovens que gostavam do kartismo, quando não estavam correndo e se ralando no loteamento do Jardim Marajoara, na zona Sul de São Paulo, entre o aeroporto de Congonhas e o autódromo de Interlagos.

Em Cotia se reuniam os jovens kartistas da época: Wilson Fittipaldi Júnior, o “Tigrão”, Joaquim Carlos Mattos, o “Cacaio”, Marivaldo Fernandes, Maneco Combacau. José Carlos Pacce, o “Moco”, Afonso Giaffone Júnior e muitos outros jovens competidores. As corridas eram disputadas em baterias. E reuniam muita gente.

E quando surgia algum problema com o kart do “Tigrão”, lá vinha o moleque correndo, mecânico eficiente, em busca de soluções. Era o “Rato”, ou o garoto Émerson Fittipaldi. Foi assim que ele começou nas pistas, em 1962, "perseguindo" a pé o kart do irmão Wilsinho.

Foi nessa época o meu primeiro contato com o Émerson. Eu estava iniciando no jornalismo. Arranjei um lugar no jornal O Esporte, um tabloide que tentava concorrer com o tradicional diário A Gazeta Esportiva. Os jornalistas famosos escreviam sobre futebol. Para mim, autêntico “foca”, restava as várias e menos divulgadas modalidades esportivas como hipismo, pólo a cavalo, automobilismo. Ai surgiu o kart. Eu me interessei e passei a divulgá-lo. Foi assim que conheci Pacce, Wilsinho e Émerson (foto abaixo) e todos os demais.











De mecânico, Émerson transformou-se em kartista, seguindo os passos do irmão. Ganhou provas e campeonatos. Pulou para o automobilismo, evoluiu nas pistas brasileiras, competindo com os mesmos companheiros de kart. Superou a todos e transformou-se no primeiro e maior responsável pela abertura de espaço no automobilismo mundial para gerações de pilotos do País em busca de fama, vitórias e títulos.

O inicio da grande e vitoriosa aventura brasileira na Fórmula-1 começou em 1969, sete anos após o esforçado mecânico “Rato” correr atrás dos marmanjos em Cotia. Foi um começo de carreira meteórico. Embora o brasileiro Chico Landi tenha competido e obtido sucesso na Europa na década de 50 (disputou seis GPs com uma Maseratti), o marco inicial da história brasileira na F-1 foi mesmo com Fittipaldi.


Após ser um piloto vitorioso e campeão nas pistas brasileiras, Émerson fez sucesso na Fórmula-2, estreou na Fórmula-1 pela Lótus preta e dourada de Colin Chapmann em 1970, ganhou a sua primeira corrida no Mundial de F-1 em 71 e foi o primeiro brasileiro campeão mundial em 1972, dez anos após as suas estrepolias no kartódromo de Cotia. Voltou a ser campeão do mundo em 1974, pela McLaren.

Deixou a equipe em 1976 para apoiar o irmão Wilsinho em um projeto brasileiro, o Copersucar, um sonho frustrado de uma equipe nacional. Ele acabou deixando as pistas de F-1 de forma melancólica, para ressurgir vitorioso na Formula Indy, nos Estados Unidos. Voltou a brilhar em 1989, ganhando o título da Indy e ainda venceu duas edições das tradicionais 500 Milhas de Indianápolis, em 1989 e 1993. Ao final da famosa prova, a tradição manda que o vencedor faça uma foto junto com seu bólido e com as notas em dólar somando um milhão em prêmios. Isso acontece até hoje.

Émerson teve de desistir de competir no automobilismo depois de um sério acidente de ultraleve que sofreu no Interior de São Paulo com seu filho. Transformou-se em empresário no automobilismo. Ícone do esporte brasileiro, como Pelé, a tenista Maria Esther Bueno, o pugilista Éder Jofre, e o atleta Ademar Ferreira da Silva, ficará para sempre na memória do povo como o grande responsável pela abertura para os pilotos brasileiros de sucesso mundial. Ele abriu as portas para gerações e gerações de pilotos, entre os quais os campeões mundiais Nelson Piquet e Ayrton Senna e os vitoriosos Rubinho Barrichello e Felipe Massa.

Mas, ao contrário de Pelé, ídolo, uma lenda viva, de feitos exaltados com orgulho pelos brasileiros a todo o instante, Émerson Fittipaldi entrou no século XXI sem ter uma grande homenagem, da qual era digno merecedor pelo que realizou três décadas antes. Se fosse nos Estados Unidos, por exemplo, Émerson seria reverenciado a todo instante, nos grandes acontecimentos do esporte e da Nação. Basta conferir o que sempre aconteceu e ainda acontece com o “grande” Muhammad Ali (o espetacular pugilista campeão mundial Cassius Clay). Sem o “Rato”, talvez, o Brasil e o Mundo não teriam conhecido pilotos campeões mundiais como Piquet e Senna. Mas ainda é tempo!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Do telegrama ao e-mail, o que vale é informar
















Com a Internet não existem horizontes e ficou facílima a comunicação, agilisando o trabalho do jornalista. Maior exemplo é este blog. Redijo agora e no minuto seguinte o texto já está postado. Bem mais difícil era transmitir notícias por outros meios. Houve época em que para informar valia tudo, até aparelho de radioamador.

Hoje, com apenas um celular e um laptop, um jornalista faz e transmite uma grande reportagem, com fotos e conteúdo, de qualquer parte do planeta. Nem sempre foi assim. E, com o desenvolvimento das novas tecnologias da informação, o mundo em 2025 deverá ser tão diferente do de hoje quanto o de 2009 é diverso daquele de 1900.

A evolução da tecnologia da informação sempre teve grande influência no desenvolvimento da atuação profissional do jornalista. Tanto é que quando fiz parte da equipe de cobertura da Copa do Mundo do Japão e Coréia de 2002 para o portal do Estadão (www.estadao.com.br), a transmissão de notícias para o site era imediata, em tempo real. Como editor assistente, recebia a informação, preparava a notícia, dava o título e imediatamente colocava na página reservada ao Mundial no portal do Estadão.

Bem diferente do que ocorreu, por exemplo, quando cobri uma viagem da equipe de futebol do Palmeiras em 1965 a Belém do Pará. Eu passava as informações para São Paulo por telegrama Western. Na redação do Diário Popular, meu companheiro Cândido Garcia montava a notícia tendo com base o meu telegrama. Há 44 anos, não havia outra maneira. Um telefonema interurbano nacional tinha uma demora de seis a oito horas. Era impraticável.

Em 1966, quando acompanhei o Corinthians em uma excursão pela Espanha – o time paulista foi participar do Troféu Ramón de Carranza –, toda a cobertura ao Diário Popular foi feita da mesma forma, por meio de telegramas. Antes da viagem era providenciado um cartão de crédito de alguma empresa internacional (como a Western ou a Italcable), pois não existia a Embratel. Na hora da transmissão, apresentava-se o "credit card" para não ter de pagar em dinheiro o envio da informação. A solução era usar frases curtas e passar o máximo de dados possíveis à redação. Assim, o redator transformava as informações resumidas em notícia.

Em 1967, novamente com o Palmeiras, tive de transmitir informações sobre um jogo para a redação de radioamadores. Era domingo, não havia nenhum telefone nas proximidades ou alguma agência de telegramas disponível em Corumbá (Mato Grosso). A única alternativa foi pedir ajuda aos radioamadores da cidade.

Ainda em 1967, quando acompanhei uma Seleção Paulista em excursão por países da África, a maneira de transmitir as informações para a redação do Diário Popular ainda continuava a mesma. Por meio de telegramas contei o dia-a-dia daquela equipe em cidades como Kinshasa, (República Democrática do Congo, ex-Zaire), Brazzaville (República do Congo), Libreville (Gabão), Yaoundê (República dos Camarões), Abidjan (Costa do Marfim) e Monróvia (Libéria). Era um sufoco descobrir em cada país onde se encontravam as agências dos correios, cumprir seus horários e conseguir que aceitassem o cartão de crédito. Além das informações por telegrama, outra alternativa era a produção de matérias especiais, entrevistas adiáveis, que eram enviadas para o Brasil em envelopes entregues a passageiros ou tripulantes das companhias aéreas. Nesse caso, eu dependia da boa vontade de quem, além de levar o envelope, tinha de telefonar para o jornal tão logo chegasse ao Brasil para pedir que o material fosse retirado. O problema é que às vezes todo o esforço era jogado por terra quando o passageiro esquecia de avisar o jornal.














A situação melhorou bastante na longa viagem pela Europa em 1973. Segui a Seleção Brasileira do técnico Mário Lobo Zagallo durante um mês, mas já livre dos telegramas. Era a época do telex ou teletipo. Ainda se usava o cartão de crédito a ser apresentado às agências do correio. A emissão dessa credencial cabia à Embratel. O que se fazia normalmente era o seguinte: acompanhar o dia da Seleção e depois preparar os textos, em máquina de escrever portátil. Em seguida, apresentar as matérias aos funcionários dos correios, juntamente com o cartão de crédito.

Resolvido o problema burocrático, costumeiramente demorado, a etapa seguinte era esperar que digitadores locais copiassem os nossos textos no telex (ver foto acima da sala de transmissão.) Só depois ocorria a transmissão para o Brasil, por meio de uma fita perfurada. O problema é que os teletipistas desconheciam o português e tinham muitas dificuldades para copiar as matérias. O trabalho era lento. E provocava grande tensão. O repórter só ficava tranquilo quando recebia o comprovante de transmissão. Era comum, inclusive, o jornalista pedir autorização para digitar o texto diretamente no aparelho de telex da empresa pública dos correios, observado por funcionários. Mas nem todos os gerentes das agências concordavam com essa intromissão.

Em capitais mais evoluídas já estavam instaladas as salas de telex, com vários aparelhos à disposição. Isso também se verificava em alguns estádios onde o Brasil jogava. Essas salas de Imprensa representavam para os jornalistas um autêntico oásis no deserto das comunicações. Mesmo que o teclado fosse totalmente diferente do brasileiro. Outras vezes ocorria de os brasileiros constatarem a existência de apenas dois aparelhos de telex em uma agência de correios. Como o número de jornalistas acompanhando a Seleção era muito grande, a fila de transmissão provocava desespero diante do dead line dos jornais. A única vantagem era o fuso horário. Um repórter podia transmitir até às 2 horas da madrugada, pois no Brasil seriam 22 horas.

No vale-tudo da cobertura, o Jornal do Brasil tinha grandes benefícios pelo fato de mandar para a cobertura dois jornalistas. No local em que havia apenas dois teletipos, por exemplo, o "JB" deitava e rolava. O Dácio Mallandro ficava utilizando um dos aparelhos à vontade enquanto o seu companheiro Oldemário Touguinhó ia para o treino da Seleção juntamente com os demais repórteres do Brasil. Encerrado o treinamento, o Oldemário corria para o telex que estava sendo “guardado” pelo Dácio e assumia o comando.

Já todos os demais jornalistas tinham de ficar na fila do outro telex. No caso de São Paulo, eu, repórter da Folha de S. Paulo, “brigava” por um lugar com os colegas João Prado Pacheco, de O Estado de S. Paulo, e Roberto Avallone, do Jornal da Tarde. E também com os jornalistas de O Globo, Jornal dos Sports e O Dia (RJ), O Estado de Minas (MG), Zero Hora e Correio do Povo (RS), Jornal do Commercio (PE) e tantos outros. Essa “guerra” pelo telex foi dividida em várias “batalhas”, cada qual travada em uma capital européia ou africana, a começar por Argel e tendo sequência por Tunis, Roma, Viena, Berlim, Moscou, Estocolmo, Londres, Glasgow e Dublin.

Já no ano seguinte (1974), foi bem mais fácil de trabalhar. Para os preparativos da Copa do Mundo e durante a competição na Alemanha, a Folha de S. Paulo contratou na Embratel o aluguel de linhas de 24 horas de transmissão via teletipo, sendo que os aparelhos eram instalados em cada quarto de hotel onde eu e meu companheiro Flávio Adauto estivéssemos. Foi assim quando nos hospedamos na Basiléia (Suíça), no lago Titisee-Neustadt, na Floresta Negra (Alemanha) e em várias sedes do Mundial, entre as quais as de Frankfurt e Munique. Nas demais cidades onde estivemos, utilizávamos os aparelhos de telex instalados nas salas de Imprensa dos centros de comunicação das sedes ou nos estádios.

Se na Copa da Alemanha o panorama de trabalho era esse, na Copa do México, em 1986 havia outro ótimo recurso para facilitar o trabalho: o fax. Eu produzia minhas matérias em máquina de escrever portátil e depois o material era transmitido por fax do Centro de Imprensa da Cidade do México para a redação de O Estado de S. Paulo, onde trabalhava na época. Já os companheiros Antero Greco, Edson Luiz dos Santos e Nelson Cilo, que estavam em Guadalajara, enviavam o material, já editado por Fran Augusti, por computador para São Paulo. Na sequência das coberturas internacionais e nacionais passou-se a utilizar o celular e, por último, o e-mail como ferramentas de trabalho. Na Copa da França, em 98, com um celular conectado ao laptop, o jornalista ganhava mobilidade para transmitir informações.

Na Copa do Japão e Coréia em 2002, o que prevaleceu foi o e-mail. Além dos jornais, emissoras de rádio e de TV, já existiam os sites. No caso dos portais, a cobertura jornalística é online, sem interrupção. Isso exige grande mobilidade e rapidez dos jornalistas na produção de notícias. O portal Estadão registrou 18 milhões de visitas no Mundial de 2002, com média de 600 a 700 mil por dia, um sucesso absoluto para a época.

A influência da evolução da tecnologia foi imensa no trabalho dos jornalistas ao longo de décadas. Sou testemunha de toda essa grande transformação nas nove coberturas externas ou internas das quais participei, em vários veículos de comunicação, durante as Copas do Japão e Coréia em 2002; da França, em 1998 (portal Estadão): dos Estados Unidos, em 1994 (Agência Estado); do México, em 1986 (O Estado de S. Paulo e rádio Bandeirantes); da Espanha, em 1982 (O Estado de S. Paulo e rádio Jovem Pan); da Argentina, em 1978 (rádio Jovem Pan); da Alemanha, em 1974 (Folha de S. Paulo); do México, em 1970, e da Inglaterra, em 1966 (Diário Popular).