
Vista da capital da Suécia, cidade construída em meio às águas e ao verde. Canais, lagos, parques e jardins embelezam Estocolmo.
UMA EXPERIÊNCIA INCRÍVEL
Na véspera de um jogo entre as seleções do Brasil e da Suécia, em Estocolmo, o momento era de festas. O calendário marcava 23 de maio de 1973 e o verão estava começando naquela região norte da Europa. As ruas de Estocolmo estavam lotadas. Restaurantes e bares empurravam mesas para as calçadas, como nas ruas de São Paulo e do Rio. O clima era agradável, não tão quente como o do verão brasileiro. Mas não estava frio. As pessoas buscavam lugar nas mesas e pediam cervejas.
Como repórter da Folha de S. Paulo, eu acompanhava a excursão da Seleção Brasileira e iria passar a primeira noite na capital sueca. Noite? Juntei-me a vários outros jornalistas que, como eu, já haviam enviado as notícias do dia para seus jornais. A claridade nos enganava. Pensávamos que fosse 19 ou 20 horas. Na verdade, já passava das 22 horas. E nada de escurecer. Era dia claro. Decidimos jantar. Depois, ficamos conversando no restaurante.
Às 23 horas o panorama era absolutamente igual. Só que aumentava o número de pessoas nas ruas. Nas praças estavam instalados vários quiosques repletos de mesinhas, equipados com som. As músicas alegres eram tocadas e as pessoas cantavam. Cantavam e bebiam. Bebiam e cantavam.
Lá pelas 23h30 escureceu um pouco. Os brasileiros tiveram a impressão que seria a hora do pôr-do-sol. Foi tudo muito rápido, porém. Minutos após, clareou novamente. Era o Sol da Meia-noite o motivo da festa. Estocolmo parecia em dia de carnaval. Gente cantando, dançando, comemorando. E as festividades se seguiram “em plena luz do dia”... ao longo da madrugada. Chegou a manhã e a festa continuou. Como no Brasil, há sempre quem exagera na bebida e acaba causando vexame ou dormindo no chão. Em Estocolmo não é diferente.
O fenômeno conhecido como Sol da Meia-noite (foto) é totalmente ignorado dos brasileiros, que vivem em um país tropical. O Brasil está localizado um pouco abaixo do Trópico de Câncer entre a linha do Equador e após o Trópico de Capricórnio. Já a Suécia – como a Noruega e a Finlândia – está localizada sob o Círculo Polar Ártico.Devido à inclinação do eixo da Terra em relação ao plano do Sol, em todas as regiões localizadas próximas ao Círculo Polar Ártico, durante o verão, acontece o Sol da Meia-noite, que nada mais é que um prolongamento do dia. Nessa estação do ano nunca escurece, como nos trópicos. Somente nos meses de março e setembro é que o dia e a noite se assemelham aos dos trópicos – tanto o dia quanto a noite duram 12 horas.
As regiões próximas ao Círculo Polar Ártico passam aproximadamente três meses do ano sem noite durante o verão – originando o fenômeno chamado Sol da Meia-noite – e três meses sem Sol durante o inverno, época em que o Sol permanece abaixo da linha do horizonte. Trata-se da noite polar, que permite o aparecimento da Aurora Boreal ou Luzes do Norte.
A Aurora Boreal origina-se nas camadas mais elevadas da atmosfera e ocorre quando as partículas elétricas que vêm do Sol se aproximam da Terra e são atraídas por seu corpo magnético. Quando alcançam a atmosfera, essas partículas se chocam com os átomos de oxigênio e nitrogênio, e produzem radiação no comprimento da onda. Isso gera um verdadeiro espetáculo, formando um céu multicor. Se no Polo Norte e regiões próximas acontece a Aurora Boreal, no Polo Sul, extremo oposto, há a Aurora Austral em quase toda a Antártica.
Não é fácil descrever o fenômeno astronômico conhecido como Sol da Meia-noite. Mas há um link no qual, mediante apresentação de imagens sequenciais, esse fenômeno é esclarecido. As imagens falam mais do que mil palavras. Eis o acesso, fruto de pesquisa de meu amigo Antonio Lait:
http://www.fc.up.pt/pessoas/psimeao/recursos/OSoldaMeia-Noite.pps












