quarta-feira, 27 de maio de 2009

Reencontro de jornalistas


PAINEL - A homenagem aos ex-presidentes na sede da Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo (Foto Aceesp).



Com Edemar Annuseck, Waldo Braga, Mário Iório, Flávio Bellini, Tim Teixeira e Odayr Baptista.













O empresário Sérgio Barbur, sua filha jornalista Alessandra, eu e Mara Mills, minha mulher.













Eu, Otávio Muniz e José Maria de Aquino.

NA REABERTURA DA ACEESP,
ABRAÇOS E RECORDAÇÕES


O sempre agradável reencontro de velhos amigos e antigos companheiros de diversas redações de jornais, emissoras de rádio e de TV marcou a cerimônia de reabertura da sede da Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo (Aceesp). O evento ocorreu em 26 de maio, no 9º andar do Condomínio Edifício Sir Wiston Churchill, na Avenida Paulista.

Profissionais que não se viam havia longo tempo tiveram a oportunidade de trocar idéias, informações, e-mails e número de celulares. E a chance de conhecer as novas instalações da associação, em um belíssimo trabalho da diretoria comandada pelo presidente Ricardo Capriotti.

Para mim, o momento trouxe muitas recordações. Serviu como lembrança de um período importante da história da entidade: a aquisição dessa sede, em 1979. Eu integrava a diretoria da associação. Meu amigo Flávio Adauto, como presidente da Aceesp, enfrentou o grande desafio de comprar um imóvel em um dos endereços mais valiosos da Capital, em plena Avenida Paulista.

Adauto contou com a aprovação de uma movimentada assembléia geral extraordinária de associados realizada no edifício-sede da Federação Paulista de Futebol e com o apoio de um grupo de diretores que avalizou a iniciativa e ofereceu garantias ao empréstimo obtido junto à Caixa Econômica Federal. A dívida foi plenamente quitada com o empenho daquela diretoria e das que a sucederam e hoje a associação é dona de importante patrimônio. Durante o coquetel de reabertura da sede atual, Ricardo Capriotti prestou homenagens a Flávio Adauto.

De acordo com o site da Aceesp, “às vésperas de completar 30 anos, era mais que necessária uma modernização na sede que valorizasse este momento histórico. Nos últimos seis meses foram desenvolvidas as alterações necessárias para que o novo espaço possa ser não apenas um retrato do passado, mas uma referência para os jornalistas do futuro. Com as modificações realizadas a sede da Aceesp se transforma em um palco para atividades de entretenimento e eventos ligados ao jornalismo.”

“Em um auditório multimídia, com capacidade de receber lançamentos de livros, cursos, reuniões, a Associação dá um passo à frente em relação aos princípios que a criaram, além da modernização de toda a estrutura física, troca de mobiliário e renovação das redes de telefonia, elétrica e hidráulica. A Aceesp não somente representa uma classe, mas sim oferece a ela oportunidades, mostrando que o sonho de Ari Silva ao fundar a Associação segue vivo e se renovando a cada gestão, cada um da sua forma e dentro das suas possibilidades, deixando uma marca positiva de sua passagem”.

Fundada em 1942 pelo jornalista Ary Silva, inicialmente a Associação dos Cronistas Esportivos instalou-se em uma sala do famoso e tradicional Edifício Martinelli, no centro de São Paulo. No início dos anos 50 a entidade transferiu-se para uma casa adquirida pelo presidente Caetano Carlos Paiolli localizada na Avenida do Estado. Posteriormente, a sede da Aceesp passou a ser em uma sala cedida pela FPF no edifício Roberto Gomes Pedroza, na Avenida Brigadeiro Luiz Antonio. Até mudar-se definitivamente para o conjunto de salas próprio, na Avenida Paulista.













NOVO VISUAL - Ricardo Capriotti é entrevistado na entrada da remodelada sede da associação (Fotos Aceesp).

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Meu livro de Biomedicina





TEMPORÃO PRESTIGIA LANÇAMENTO













O ministro da Saúde, José Gomes Temporão (foto), prestigiou o lançamento oficial do livro “Biomedicina – um painel sobre o profissional e a profissão”, de minha autoria, que marca o inicio de uma campanha institucional de valorização da especialidade. Esse lançamento ocorreu em Brasília, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, na primeira quinzena de maio, durante o Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. Temporão foi recebido por conselheiros no estande do Conselho Regional de Biomediina (CRBM) e assinou o livro de ouro da instituição.
No lançamento oficial do livro, em Brasília, eu com o presidente do CRBM, Marco Antonio Abrahão e os conselheiros Carlos Gabriel Tartuce, Ney Piroselli, Wilson de Almeida Siqueira e Durval Rodrigues.

GUIA DA PROFISSÃO - Convidado pelo presidente do Conselho Regional de Biomedicina (CRBM), Marco Antonio Abrahão, sou o autor da pesquisa, conteúdo e edição do livro, que em sua primeira edição tem tiragem de 25 mil exemplares. Por ser institucional, não está à venda em livrarias.

Esse guia da profissão está sendo entregue para os 5.615 secretários municipais e 27 secretários estaduais de Saúde. Os mais de 16 mil biomédicos do Brasil também recebem os exemplares, além de reitores de universidades, faculdades e centros universitários, centros acadêmicos, coordenadores de cursos de Biomedicina, institutos, centros de saúde, laboratórios, empresas do setor, conselhos profissionais e comunicadores, deputados e senadores do País.

O painel procura apresentar a Biomedicina, uma especialidade ainda nova na área da Saúde. E quem é o biomédico e o que ele faz em benefício da saúde da população brasileira.

A Biomedicina revela-se ampla nesta versão impressa, elaborada em linguagem fácil, de entendimento imediato, com o objetivo de revelar a profissão para autoridades governamentais, secretários estaduais, municipais, parlamentares, diretores de empresas do setor, a sociedade em geral, e servir de orientação e apoio para o próprio profissional biomédico.

Seu conteúdo inclui um histórico da especialidade, a trajetória dos cursos, o perfil do profissional, seu campo de atuação, a garantia legal das atividades, a classificação no Conselho Nacional de Saúde, inclusão na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), o Ato Profissional Biomédico, as entidades da Biomedicina e suas funções e diferenças, indicações de legislação da saúde, sites importantes, fontes úteis, além de informações sobre análises clínicas, etc, e endereços dos Conselhos Regionais de Biomedicina.

Parte da população brasileira desconhece detalhes da Biomedicina. A sociedade em geral não sabe ainda o que é ser biomédico. Alguns nem têm idéia do que faz esse profissional. Isso é consequência de uma carreira relativamente nova no cenário da saúde brasileira.

A expectativa é de que este painel seja uma ferramenta importante para um melhor conhecimento da carreira, que completou 40 anos em 2006 – foi em 1966 que surgiu o seu primeiro curso de graduação.

ATIVIDADES – A área de atuação do biomédico é ampla. Atualmente são 33 habilitações. Um setor de grande atividade é a pesquisa. O profissional ainda atua nos campos das análises clínicas, análise ambiental, microbiologia, citologia oncótica, parasitologia, imunologia, hematologia, bioquímica, biofísica, banco de sangue, virologia, fisiologia (geral e humana), radiologia, imagenologia, análises bromatológicas, microbiologia de alimentos, histologia, patologia, acupuntura, genética, embriologia, reprodução humana assistida, farmacologia, psicobiologia, biologia molecular, informática de saúde, anatomia patológica, sanitarista, toxicologia e perfusão extracorpórea. O biomédico também é um profissional plenamente preparado para as ações de Saúde Pública e atividades das Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde.

Bagunça gera fracasso em Liverpool


Dino Sani e Lula (com Bellini e Pelé ao fundo) nas comemorações dos 50 anos do título mundial conquistado na Suécia.

DINO SANI JÁ PREVIA DESASTRE NA COPA DE
66 E CONFIRMAVA A GRANDE DESORGANIZAÇÃO


“Olha, que fique entre nós: isto aqui está uma bagunça, dá desanimo. Ninguém entende ninguém. Não sei no que vai dar, mas não pode ser boa coisa, não. É uma pena”, previu o experiente jogador Dino Sani, campeão mundial de 1958. “O problema é que tem muito jogador, são quatro times e não há nenhum efetivamente bom, acertado, definido. Não vejo um bom futuro para nós na Copa”, acrescentou. A previsão pessimista foi dada a mim, então repórter do Diário Popular (hoje Diário de S. Paulo) pelo apoiador que era titular do Corinthians. Nos estávamos na concentração da Seleção Brasileira, em Teresópolis, Rio de Janeiro, em maio de 1966, pouco antes da Copa da Inglaterra. Logo após fazer essa análise fria, mas absolutamente realista do que estava ocorrendo, Dino pediu sigilo da fonte. “Não publique que fui eu que contei, senão vou ser cortado”.

Não por culpa minha, mas como consequência daquela confusão que foi a preparação da Seleção para o Mundial de 66, Dino Sani acabou sendo dispensado antes da viagem. Como muitos outros. Afinal, a comissão técnica comandada pelo técnico Vicente Feola exagerou em tudo, em treinos, amistosos e em atletas. Foram convocados 47 jogadores. Um absurdo de mais de quatro times completos. Era tanta gente em campo que ficava impossível o controle. Havia o time amarelo, o verde, o azul e o branco. Em cada amistoso jogava um time. O grupo andou pelas estâncias climáticas de Teresópolis (RJ), Lambari (MG), Caxambu (MG) e Serra Negra (SP). Em todos os lugares, a população saia atrás da Seleção à cata de autógrafos. Resultado, ainda, do sucesso da conquista dos títulos mundiais de 58 e 62. O sonho da torcida era ver o Brasil tricampeão na Inglaterra.

TÚNEL DO TEMPO - Nos preparativos para a Copa de 66, exames médicos dos jogadores em clínica de Copacabana: Pelé, Flávio, Bellini, Fontana, Orlando Peçanha e eu, que fazia a cobertura jornalística da Seleção Brasileira para o Diário Popular (hoje Diário de S. Paulo), em foto de Manuel dos Santos. Há 43 anos.


CLIMA DE "JÁ GANHOU" - A euforia dominava todos, dos cartolas da antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos já comandada por João Havelange) ao mais simples jogador. Ninguém admitia que o futebol do Brasil pudesse fracassar. Nesse clima de “já ganhou” e de “salto alto”, Amarildo chegou da Itália (jogava no Milan) e se apresentou a Feola. Seu primeiro jogo-treino foi em Serra Negra. Badalado por todos, o atacante não gostou quando leu a minha análise sobre a sua atuação em um amistoso. Como o Diário Popular era entregue na concentração do Hotel Pavani, Amarildo tomou conhecimento da crítica e, na primeira oportunidade que teve, em uma entrevista à Rádio Bandeirantes, fez a sua defesa e condenou a minha reportagem. Mas o assunto se encerrou logo após, quando o comentarista da emissora, o respeitado Mauro Pinheiro, saiu em minha defesa, confirmando que o jogador não havia correspondido em sua primeira apresentação e que eu tinha todo o direito de criticá-lo. Amarildo era um grande sucesso do Milan, da mesma forma que Dino Sani havia sido, embora já tivesse retornado ao futebol brasileiro dois anos antes.

Como o amigo Antero Greco, companheiro nas redações de O Estado de S. Paulo e Diário Popular, profundo conhecedor do futebol internacional e particularmente do italiano, já explicou em diversos artigos, os jogadores brasileiros sempre tiveram tradição de sucesso no Milan. José Altafini (o nosso Mazzola), Dino Sani, Amarildo e Sormani foram os principais entre os anos 50 e 70. Depois, Leonardo, Serginho, Roque Júnior, Dida, Cafu, Rivaldo, Émerson, Ronaldinho Gaúcho, Thiago Silva e vários outros vestiram a camisa rubro-negra mais famosa da Europa. Agora, o grande astro do Milan é Kaká.

Amarildo (foto) – como Mazzola e Sormani –, acabou criando raízes na Itália desde que o Milan o tirou do Botafogo, pouco depois da Copa do Mundo de 62. Suas atuações no Chile, como substituto de Pelé, chamaram a atenção dos italianos, que o fizeram jogar ao lado de Mazzola. Atacante leve, rápido, apelidado de “Possesso”, ficou em Milão de 63 a 67 e deixou sua marca: 32 gols em 107 partidas. Amarildo ainda jogou no Napoli e na Fiorentina.

Dino Sani foi contemporâneo de Amarildo e Mazzola no Milan. O volante, que passou por São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Boca Juniors, chegou a Milão em 61 e saiu de lá em 64. Nesse período, foram apenas 62 jogos, mas 14 gols e muita categoria no meio-de-campo. Seu nome consta da lista de notáveis que defenderam o Milan, como os holandeses Gullit, Van Basten e Rijkaard, os suecos Gunnar Green e Niels Liedholm, e os italianos Fabio Capello, Franco Baresi, Gianni Rivera, Cesare e Paolo Maldini.

Sem Dino Sani (foto) e Amarildo, incluídos em um listão de 22 jogadores “cortados” momento antes do embarque para a Europa, a Seleção Brasileira foi um desastre no Mundial. A delegação viajou sem uma equipe definida. Tanto que, entre o último teste, em 30 de junho, e a estréia, dia 12 de julho em Liverpool contra a Bulgária, Feola fez cinco substituições: saíram Fidélis, Orlando Peçanha, Gérson, o jovem Tostão e Paraná para entrarem Djalma Santos, Altair, Denílson, Lima e Alcindo.

O Brasil venceu a Bulgária por 2 a 0, gols de Pelé e Garrincha, ambos de falta, apresentando um futebol medíocre. A equipe tinha Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Altair e Paulo Henrique; Denílson e Lima; Garrincha, Alcindo, Pelé e Jairzinho. Na segunda partida, dia 15, derrota para a Hungria por 3 a 1. Gérson havia voltado no lugar de Denílson e Tostão (que fez o gol) na vaga deixada por Pelé, poupado. No terceiro jogo veio a eliminação com a derrota para Portugal, também por 3 a 1, dia 19. No desespero, a equipe havia sido totalmente modificada: Manga, Fidélis, Brito, Orlando e Rildo; Denílson e Lima; Jairzinho, Silva, Pelé e Paraná. O clima foi de tristeza. Pelé foi caçado em campo, não havia como substituí-lo porque o regulamento não permitia. Os portugueses, com Eusébio, Torres e Simões, mereceram a vitória e a Seleção Brasileira foi eliminada sem passar das oitavas-de-final. O grupo voltou humilhado ao País.

Para quem gosta de detalhes, eis os 47 jogadores convocados para o período de treinamentos antes da Copa de 66: Goleiros - Fábio (São Paulo), Gilmar (Santos), Manga (Botafogo), Ubirajara (Bangu) e Valdir Joaquim de Moraes (Palmeiras); Laterais - Carlos Alberto Torres (Santos), Djalma Santos (Palmeiras), Fidélis (Bangu), Murilo (Flamengo), Édson Cegonha (Corinthians), Paulo Henrique (Flamengo) e Rildo (Botafogo); Zagueiros - Altair (Fluminense), Bellini (São Paulo), Brito (Vasco), Ditão (Flamengo), Djalma Dias (Palmeiras), Fontana (Vasco), Leônidas (América/RJ), Orlando Peçanha (Santos) e Roberto Dias (São Paulo); Apoiadores – Denílson (Fluminense), Dino Sani (Corinthians), Dudu (Palmeiras), Edu (Santos), Fefeu (São Paulo), Gérson (Botafogo), Lima (Santos), Oldair (Vasco) e Zito (Santos); Atacantes – Alcindo (Grêmio), Amarildo (Milan), Célio (Vasco), Flávio (Corinthians), Garrincha (Corinthians), Ivair (Portuguesa de Desportos), Jair da Costa (Inter de Milão), Jairzinho (Botafogo), Nado (Náutico), Parada (Botafogo), Paraná (São Paulo), Paulo Borges (Bangu), Pelé (Santos), Servílio (Palmeiras), Rinaldo (Palmeiras), Silva (Flamengo) e Tostão (Cruzeiro).

Dos 47 convocados por Vicente Feola para esse infeliz período de treinamentos, acabaram viajando para a Inglaterra os seguintes 22 “sobreviventes": Gilmar e Manga (goleiros); Djalma Santos, Fidélis, Paulo Henrique e Rildo (laterais); Bellini, Altair, Brito e Orlando Peçanha (zagueiros); Denílson, Lima, Gérson e Zito (apoiadores); Garrincha, Edu, Alcindo, Pelé, Jairzinho, Silva, Tostão e Paraná (atacantes).

Embora a Seleção tenha fracassado na Inglaterra, cinco jogadores que participaram do grupo de Liverpool foram fundamentais na conquista do tricampeonato mundial, quatro anos mais tarde, em 1970, no México: Brito, Gérson, Jairzinho, Pelé e Tostão. Quase metade de um time que é apontado como uma das melhores seleções que o Brasil já teve em todos os tempos.