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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Emerson Fittipaldi traz Mundial de Marcas para o Brasil


Emerson Fittipaldi confirmou: entre 14 e 16 de setembro, em Interlagos, as “6 Horas de São Paulo”, etapa do Mundial de Marcas. “A cidade é a primeira e única a ter três grandes eventos do automobilismo global: Fórmula-1, Indy e Mundial de Marcas. É meu presente para São Paulo”, revela o ex-piloto, hoje empresário. O bicampeão mundial de F-1 é o responsável por Interlagos receber prova do mesmo campeonato de Le Mans, em parceria com a prefeitura de São Paulo.

O Mundial tem a participação das montadoras Audi, Peugeot, Toyota, Nissan, Honda, Aston Martin, Chevrolet, BMW, Ferrari e Porsche, com no mínimo 30 carros protótipos. Haverá cobertura mundial de TV e será realizado logo após o aniversário de 40 anos do primeiro título de Emerson Fittipaldi na F-1.

“Não piloto há três anos, mas nesses protótipos dá um vontade de andar. Tenho certeza que esse será um dos principais eventos esportivos e turísticos de São Paulo”, afirmou Emerson. “Segundo a FIA, Interlagos está entre os três circuitos mais técnicos do mundo. Por isso, teremos a quinta etapa da nova categoria de Endurance”, disse Fittipaldi.

O Mundial de Marcas teve campeonatos disputados regularmente entre 1953 e 1992, com o nome de World Sportscar Championship, e as principais provas eram a Carrera Panamericana (México), as 24 Hours deLe Mans (França) e as 24 Hours de Daytona (EUA).

Em 2012, a FIA (Fédération Internationale de l’Automobile) promove um retorno da categoria de protótipos com o nome de World Endurance Championship.

O calendário de 2012 terá oito provas; 17 de março: 12 Horas de Sebring (Estados Unidos); 5 de maio de 2012: 6 Horas de Spa-Francorchamps (Bélgica); 16 e 17 junho: 24 Horas de Le Mans (França); 25 de agosto: 6 Horas de Silverstone (Inglaterra); 16 de setembro: 6 Horas de São Paulo ; 30 de setembro: 6 Horas de Fuji (Japão); 20 de outubro: 6 Horas de Bahrein (Bahrein); 11 de novembro: 6 Horas da China (autódromo ainda indefinido).

Três equipes brasileiras poderão estar no grid de largada da corrida de setembro de 2012: o ex-piloto de F-1, Ricardo Zonta é o nome mais cotado, junto com Jaime Melo e Christian Fittipaldi.

“Os três têm condição de andar nessa categoria. Christian vem participando de provas de longa duração nos Estados Unidos. Zonta e Melo correm na Europa também. Melo deve ser a terceiro piloto brasileiro nessa etapa brasileira”, previu o presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo, o ex-piloto de stock-car, Paulo Gomes.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Bruno Senna: “É agora ou nunca!”


Estou torcendo muito pelo sucesso de Bruno Senna na Fórmula-1. Chegou a sua hora. Aos 28 anos, o sobrinho de Ayrton Senna conquista o seu espaço e assinou um contrato de um ano. Competirá na Williams, equipe pela qual seu tio corria quando perdeu a vida em um acidente durante o Grande Prêmio de San Marino de 1994.

Sou um grande admirador do automobilismo em geral e da F-1 em especial. Como jornalista, comecei a cobrir corridas na época das Mil Milhas Brasileiras, nos anos 1960. Sou um dos pioneiros na divulgação do kart (com Wilson Fittipaldi, Cláudio Carsughi e o saudoso Durval Silva), no início das carreiras de Emerson Fittipaldi, José Carlos Pace e Wilson Fittipaldi Jr. Tive o privilégio de acompanhar as trajetórias dos campeões mundiais Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna. Portanto, desempenhos como os de Rubens Barrichello e Felipe Massa reduziram a minha motivação. Agora, volto a ter interesse pelas provas do Mundial de F-1, com Bruno. Talentoso, competente e batalhador, ele tem possibilidades de ser um piloto de sucesso. Conta com o apoio de Frank Williams, grande incentivador de Ayrton, que fará de tudo para oferecer a Bruno o melhor carro possível.

Bruno Senna está muito feliz, como confessou em entrevista coletiva. “Será muito interessante pilotar por uma equipe que teve meu tio como piloto, particularmente porque algumas pessoas daqui chegaram a trabalhar com o Ayrton. Esperamos trazer de volta algumas lembranças e criar outras novas também. Quero conquistar bons resultados para retribuir o apoio que meu país tem me dado e que me ajudou a conseguir esta vaga”, considerou o jovem piloto, que jamais se esquecerá do contato que tinha com o tio Beco.

"Minha convivência com Ayrton não foi muito longa – eu tinha 10 anos quando ele morreu, em 1994. Em compensação, foi bastante intensa. Minhas melhores recordações do tio Beco – era assim que eu o chamava – são as férias de verão em Angra dos Reis e os finais de semana na fazenda do meu avô em Tatuí (SP), onde a gente se divertia muito andando de kart. Acho que é desses períodos que ficaram alguns legados importantes do Ayrton. Ele sabia muito bem como um ambiente familiar estruturado foi fundamental para a formação de seu caráter e de sua personalidade. Ayrton gostava demais da nossa companhia e fazia questão de nossa presença. Ele deixou em mim essa forte ligação familiar. Minha mãe e minhas irmãs estão sempre comigo. Meu tio começou a correr incentivado pelo meu avô Milton – e comigo também foi assim. É provável que eu tivesse escolhido viver das corridas mesmo se Ayrton não fosse piloto, mas é claro que essa influência pesou. Fora das pistas a memória dele estará para sempre gravada também pelas obras sociais do Instituto Ayrton Senna", contou Bruno recentemente. “Sou orgulhoso de ser brasileiro e mais motivado do que nunca para mostrar o que posso fazer. Desde que sentei pela primeira vez em um kart nunca pensei em fazer outra coisa”.

A estréia de Bruno na Williams será dia 18 de março, em Melbourne, na Austrália. Será o início de um novo desafio.


"Estou sempre atrasado. Comecei a correr com 20 anos, enquanto muitos chegam à Fórmula-1 com essa idade. Nunca fiz uma pré-temporada na Fórmula-1. Na equipe da Hispania me apresentei para a primeira corrida sem um único treino. Na Renault entrei na 12.ª etapa, tive de descobrir tudo ali, na hora", disse Bruno.

Como seu estágio de preparação estava sempre abaixo do estágio dos adversários, Frank Williams e seu sócio, Adam Parr, submeteram Bruno a um vestibular, algo inédito na categoria, ao menos nesse nível. "Fiz testes de conhecimento técnico, trabalhos no simulador, além de avaliação física. Eles me levaram até para a pista, com um professor de pilotagem muito conceituado, Rob Wilson, para me analisar melhor." Só depois de confrontar os dados do processo seletivo Williams e Parr o aceitaram como piloto.

De acordo com o jornalista Livio Oricchio, com quem trabalhei no Estadão, tem importância capital na escolha do pacote financeiro de que Bruno dispõe o grupo OGX, de Eike Batista, a Embratel e a Gillette, que, estima-se, contribuirão com R$ 20 milhões (8 milhões) para o suposto orçamento de R$ 200 milhões ( 80 milhões), cerca de um terço dos recursos dos concorrentes, o que projeta uma temporada de dificuldades para a Williams, embora menores que as de 2011, a pior de sua trajetória na F1.

Como analisa Livio, a contratação de Bruno pela equipe inglesa está carregada de fortes emoções históricas. A perícia do acidente que matou Ayrton revelou "negligência" dos engenheiros da escuderia na modificação da coluna de direção, cujo rompimento tornou o carro sem condições de ser pilotado, lançando-o contra o muro da curva Tamburello. Mas Bruno já revelou não haver nenhum ressentimento dos Sennas com relação ao caso.

Enfim, Bruno Senna inicia seu um novo e importante desafio: "É agora ou nunca. A temporada é decisiva para a minha carreira", considera. O piloto deverá contar com o apoio e incentivo de todos os brasileiros, grandes admiradores de Ayrton Senna.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Cozumel, paraíso no Caribe, uma visita inesperada


Após mais de 50 dias na Cidade do México, já era hora de ir embora. Afinal, trabalhar em Copa do Mundo é muito importante para a profissão de jornalista, mas exige muito empenho, gera preocupações, estressa.

O problema maior é que quando cheguei já sabia que todos os voos estariam lotados e as chances de deixar a capital no dia seguinte ao término do Mundial de 1986 eram mínimas. Eu tinha bilhete confirmando, porém só para 48 horas após o jogo de encerramento.

Como meu destino não era São Paulo, mas sim Miami (onde Mara, minha mulher, já me aguardava), resolvi arriscar. De madrugada fui para o aeroporto. Estava um verdadeiro caos: filas intermináveis, gente se trombando, balcões congestionados... pior do que costuma ocorrer em Guarulhos. Tive muita sorte, porém. Consegui lugar em um avião da Mexicana. O voo tinha duas escalas. E uma delas era um privilégio: a paradisíaca Cozumel.


A ilha, localizada no Caribe mexicano, tem como principal atividade o turismo, com toda a estrutura necessária – hotéis, restaurantes, passeios, praias fantásticas. É muito procurada por mergulhadores, devido às suas águas claras e quentes e a grande concentração de vida marinha, com uma das maiores formações de coral do mundo (ao sul, em direção a Belize, fica a segunda maior barreira de corais do mundo, depois da australiana).



Megulhar em Cozumel é visitar um mundo especial e diferente debaixo d’água. A beleza submarina deixa os mergulhadores experientes fascinados e os que estão mergulhando pela primeira vez apaixonados, segundo relatam esses esportistas. “Realmente é uma ilha encantadora com suas águas cristalinas, recifes de coral estendendo-se por todo o lado sul, uma vida marinha riquíssima e muita vegetação fazem de Cozumel uma verdadeira festa”, conta um deles.

Cozumel é absolutamente plana. Com o avião fazendo o procedimento de pouso, a gente tem a impressão de que vai descer em pleno oceano. Em torno da costa da ilha encontram-se praias de areia branca e mar azul-turquesa de grande beleza.


No século XX Cozumel tornou-se conhecida graças à divulgação do cineasta e oceanógrafo francês Jacques Cousteau, mundialmente famoso por suas viagens de pesquisa, a bordo do barco Calypso.


A ilha (na visão por satélite)tem cerca de 48 km de norte a sul e 16 km de leste a oeste, área de 647,33 km². Seu nome oficial: San Miguel de Cozumel, fundada em 1974, com população em torno de 73 mil habitantes. Descoberta em 3 de maio de 1518 pelo capitão espanhol Juan de Grijalva, foi por ele chamada de Santa Cruz de la Puerta America. Dias depois ele mandou oficiar nas praias de Cozumel a primeira missa católica no México.

Seu clima é tropical, com variações mínimas e tempestades tropicais. Temperatura média no ano é de 30°C.


Desde 2009, a ilha conquistou o privilégio de abrigar uma etapa do circuito Ironman de Triathlon. Cerca de 2.200 atletas disputam as 50 vagas para o campeonato mundial, realizado em outubro, no Havaí. A prova, como é comum no circuito ironman, atrai atletas de diversos países. A peculiaridade é que, por ser realizada depois do campeonato mundial, as vagas conquistas em Cozumel valem para o ano seguinte.

O idioma oficial é o espanhol e a moeda é o peso mexicano. Há voos semanais de São Paulo a Cancun. Existem também diversos fretamentos com pacotes de sete noites. De Cancun para Cozumel há uma ponte aérea com voos de meia em meia hora. Outra opção é ir via Miami, pois dessa cidade parte um voo diário da Mexicana de Aviacion.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Havelange, o “Rei-Sol do futebol”, sai de cena


Em alguns momentos da minha carreira, em algum lugar lá no passado, cheguei a acreditar no dirigente João Havelange. É bem provável que cometi um grande engano.

Suspeitas de corrupção obrigaram Havelange, hoje com 95 anos, a renunciar recentemente ao posto de membro do Comitê Olímpico Internacional (COI). Sob ameaça de ser expulso da entidade, onde permaneceu durante 48 anos (de 1963 a 2011), ele justificou seu afastamento “por problemas de saúde”.

Havelange também exerceu, ao longo de 24 anos, a presidência da Federação Internacional de Futebol (FIFA), de 1974 a 1998, quando foi eleito presidente de honra da entidade.

Antes disso, de 1956 a 1974, comandou o futebol e todos os esportes do País como presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD).

Jornalista, eu, Sérgio Barbalho, acompanhei a eleição e a posse de João Havelange à presidência da FIFA, em maio de 1974, em Frankfurt, dias antes do início da Copa do Mundo. Lá estava como repórter da Folha de S. Paulo.

Sua eleição foi resultado de um hábil jogo político que começou bem antes, nos anos 60.

Em 1967, por exemplo, o cartola da CBD enviou para países africanos uma seleção paulista de jogadores novos (sub-18). Participei dessa excursão como repórter do Diário Popular. Anteriormente, Havelange havia feito o mesmo com equipes famosas do Brasil, como o Santos de Pelé e o Botafogo de Garrincha.

Essas excursões tinham como objetivo mostrar o futebol brasileiro à época bicampeão mundial para a África. Era o inicio de um intercâmbio visando dar melhores condições ao esporte das nações africanas. Em contrapartida, Havelange contaria com apoio quando das eleições à presidência da FIFA. O esquema deu certo e o brasileiro desbancou o inglês sir Stanley Rous justamente com os votos dos países da África sul-americanos. Outros importantes apoios foram conquistados por ele em viagens de dez semanas, por 86 países, em busca de votos.
Nos anos 60, eu, Sérgio Barbalho, João Mendonça Falcão (presidente da Federação Paulista de Futebol), João Havelange (presidente da CBD) e Antonio Ermírio de Moraes Filho (vice-presidente da FPF).

Toda a trajetória do cartola brasileiro, um dos três “Dirigentes do Século XX”, junto com o barão Pierre de Coubertin (idealizador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna) e Juan Antonio Samaranch (ex-presidente do COI), foi analisada em artigo do jornalista Sérgio Augusto, publicado no caderno Aliás do Estadão, leitura obrigatória de quem gosta de esporte e do futebol:

O REI-SOL SE PÕE

“Como aqueles parlamentares que renunciam ao cargo para escapar da cassação, o megacartola Jean-Marie Faustin Goedefroid de Havelange entregou seu posto no Comitê Olímpico Internacional para dele não ser expulso, também por malfeitorias. Melancólico desfecho para um longo mandarinato esportivo. Havelange integrava o COI havia 48 anos. Se continuará presidente de honra da Fifa, só o tempo e o atual presidente daquela entidade, Joseph Blatter, dirão.

Oficialmente, Havelange demitiu-se por motivos de saúde. É possível que o peso da idade (95 anos) esteja afinal dobrando o acerado empresário da bola, mas a promessa de que o conselho de ética do COI arquivaria o caso de uma antiga maracutaia na Fifa se ele entregasse o crachá sugere outra coisa.

Após anos e anos de suspeitas e investigações, em 2008 um tribunal suíço apontou Havelange como beneficiário de um pagamento ilícito da ISL, a empresa falida que cuidava dos contratos de publicidade e transmissões de TV da Fifa, no valor de US$ 1 milhão. Fazia então dez anos que ele deixara a presidência da Fifa, seu feudo durante um quarto de século. Cadê as provas e a sentença?, cobrou a BBC, a primeira a noticiar o veredicto. E cobrando ficou até cansar. Interesses mais altos que os da Justiça impediram a divulgação do papelório forense.

Àquela altura completara também uma década da publicação de Como Eles Roubaram o Jogo, devassa dos subterrâneos da Fifa feita pelo britânico David A. Yallop, aqui editada pela Record. Eram 365 páginas de escândalos envolvendo as elites do futebol, grandes corporações, canais de televisão, paraísos fiscais e empresas especializadas em marketing e tráfico de influências - o trivial da corrupção AAA. O livro há muito se esgotou, o que é uma pena, pois continua sendo o mais suculento balanço da mafiosa atuação dos próceres esportivos acobertados pela Fifa. Mas, por módicos US$ 4,76, é possível baixar sua versão Kindle (How They Stole the Game) pela internet.
Sete meses atrás, outra investida da BBC, dessa vez no programa Panorama. A Fifa estava impedindo a divulgação de um documento que revelava quais de seus dirigentes haviam sido forçados a devolver o equivalente a US$ 6,1 milhões de propinas, como parte de outro acordo para encerrar uma investigação criminal na Suíça. Um juiz do cantão de Zug determinou a divulgação, mas Blatter evitou-a para não atrapalhar sua reeleição como presidente da Fifa, poucas semanas depois. Procurados pelo programa, dois dirigentes na berlinda, Havelange e seu ex-genro Ricardo Teixeira, do Comitê Executivo da Fifa e presidente da CBF, nem se deram o trabalho de dizer "no comments".

Há sempre uma eleição atrapalhando a transparência nos negócios do futebol. Havelange safou-se de prestar contas pelos US$ 6,6 milhões desaparecidos sem deixar vestígio dos cofres da CBD (a antiga encarnação da CBF, presidida por ele de 1958 a 1974) para que sua campanha eleitoral à presidência da Fifa pudesse correr sem atropelos.

Geisel, o general que então governava o País, fez vista grossa para um relatório confidencial e secreto sobre os desvios e os prejuízos financeiros (mais de US$ 10 milhões) causados pela Minicopa de 1972 aos cofres da CBD e autorizou a Caixa Econômica Federal a tapar o buraco, mas escolheu para suceder a Havelange o almirante Heleno Nunes, irmão do almirante Adalberto Nunes, inimigo de Havelange. Este, espertamente, ajustou-se à planificação esportiva do almirante, construindo 13 estádios em cidades grandes e pequenas para arrumar votos para a Arena, o partido do governo, entre 1969 e 1975.

Pelas contas de Yallop, que apelidou Havelange de "Rei-Sol do futebol", sua campanha eleitoral à presidência da Fifa deve ter custado entre US$ 2 milhões e US$ 3 milhões, já incluída a viagem de dez semanas por 86 países à cata de apoios. Quem a financiou? "Meu próprio bolso", respondeu Havelange, supostamente um homem de negócios muito bem-sucedido à frente da Viação Cometa e da fábrica de produtos químicos e explosivos Orwec, da qual era sócio.

Yallop descobriu que, na Cometa, ele apenas ocupava um cargo honorífico, pelo qual recebia US$ 6 mil mensais, o mesmo salário de sua secretária na Fifa - ou 10% do que alegadamente custara o voto da Etiópia -, e na Orwec passara a perna no sócio. Mestre em cabalar votos e aliciar delegados do Comitê da Fifa (lautas refeições, com todas as despesas pagas e mimos que começavam com relógios Rolex) e jornalistas (barras de chocolate suíço, aparelhos de barbear, filofaxes, bonés, distintivos, jaquetas, bolas, chaveiros, canetas), reinou absoluto durante 8.760 dias, dos quais 7.200 consumidos por viagens. Visitou 191 países pelos menos três vezes.

Apenas na base da simpatia não teria ido longe. Frio, enigmático, sorumbático, em nada o ajudou aquele imperturbável olhar. Se atraiu muitos aduladores, maior foi o número de inimigos que acumulou ao longo da carreira, no Brasil e no exterior. Sua maior nêmesis nestas paragens, o jornalista Juca Kfouri, teve a credencial para a Copa de 98 contestada por causa de suas críticas ao Rei-Sol.

Aliás, quando das conversas para sediar aquele Mundial, o presidente francês Jacques Chirac nem pigarreou antes de acusar Havelange de "suborno". Brian Granville, o decano dos colunistas de futebol britânicos, insiste em que Havelange só não conseguiu concretizar duas ambições na vida: tornar-se o primeiro presidente póstumo da Fifa e organizar a Copa do Mundo dos embriões.

Em princípio, o resultado das investigações sobre as propinas pagas pela ISL (cerca de US$ 100 milhões, no total) seria divulgado no último dia 6 de dezembro na reunião de 17 de dezembro do Comitê Executivo da Fifa, em Tóquio. Blatter, que desde a reeleição assumira uma postura de faxineiro ético, "arrecuou os arfes", adiando sine die a tão esperada revelação, segundo ele embargada judicialmente por alguém com culpa no cartório. Superado esse entrave, saberemos de tudo, prometeu o sucessor de Havelange na Fifa. Depois do poente, o eclipse.”

sábado, 24 de dezembro de 2011

Dicas para driblar o caos dos aeroportos


É difícil escapar da grande movimentação nos aeroportos, principalmente no fim de ano. O fluxo cada vez maior de viajantes tem transformado os já saturados saguões dos aeroportos brasileiros em ambientes de sufoco. Não dá para evitar todos os problemas de embarque e desembarque, mas algumas providências podem reduzi-los.

ANTES DE SAIR DE CASA

Reconfirmar voos
Cerca de 48 horas antes do embarque. Todas as companhias oferecem check-in eletrônico.

Deixar o carro na garagem
É bom evitar problemas de superlotação no estacionamento do aeroporto. Há os alternativos 24 horas, nas imediações da Rodovia Hélio Smidt (R$17,00 a R$29,00 a diária) que oferecem traslado gratuito até Cumbica/Guarulhos.

Saber como está o trânsito
Acompanhar as notícias das emissoras de rádio e TV. Se necessário, ir antes para o aeroporto.

NO CAMINHO

Como chegar
Os ônibus das companhias aéreas são gratuitos.
Há os ônibus executivos Airport Bus Service (R$28,00),que saem da Praça da República, Congonhas, Av. Faria Lima, Terminais Tietê e Barra Funda.
Táxis da região da Avenida Paulista custam R$90,00; de Moema, R$110,00.
Ônibus comum da EMTU (R$4,05) que sai da Estação Tatuapé do Metrô (mas faz paradas no caminho).

NO AEROPORTO

Observe os horários
Chegar com 3 horas de antecedência (voos internacionais) ou 2 horas (voos nacionais).
Check-inOpte pelos totens de autoatendimento nos saguões.

Cuidados com bagagens
Coloque na sua mala algo que a diferencie das demais para facilitar sua visualização e reconhecimento.
Observe as exigências das companhias aéreas quanto ao peso de cada mala. Limite padrão é de 23 kg em voos nacionais e duas malas de 32 kg em internacionais.
Dependendo das condições das bagagens, vale à pena usar o serviço de embalagem plastificada (R$30,00).

Evite furtos
Não deixe o carrinho solto no corredor do aeroporto ou nos restaurantes, lanchonetes e lojas. Fique atento. Muito cuidado com bolsas e documentos, inclusive quando estiver no guichê fazendo o check-in.

Despachando malas
Passageiros com malas devem se apresentar no balcão da companhia para identificação da bagagem. Há guichês exclusivos para quem fez check-in eletrônico.

Passaporte
Documento imprescindível em viagens internacionais. Observe sempre sua validade: ela deve ser no mínimo até a data de seu retorno ao Brasil.

Vistos
Caso vá para algum país que exija visto (ex: Estados Unidos, Austrália etc), o mínimo necessário são seis meses.

Vacinas
Esteja de posse do Certificado Internacional de Vacinação, que alguns países exigem, como Austrália, África do Sul, Arábia Saudita , China, Egito, Uruguai, Rússia.

Seguro viagem
Vários países exigem. Verifique antes. O mesmo com relação a comprovantes de hospedagem e financeiro.

Documentação
Passaporte obrigatório para viagens internacionais e Cédula de Identidade para as nacionais ou países do Mercosul. (Muita atenção: o RG não pode ter mais de 10 anos e só vale o original. Carteira de Habilitação e outros documentos não são aceitos). Documentação de crianças também é obrigatória. (Procure informar-se antes sobre autorização de viagens de menores desacompanhados dos pais ou de um dos pais).

Raio-X e controle da documentação
Não há como escapar das filas específicas nos guichês da Polícia Federal.

Apresentação para embarque
Uma hora antes do voo, no mínimo.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Paulista, a avenida que faz parte da nossa vida


PASSEIO IMPERDÍVEL - Olá pais e avós: imperdível o passeio com a criançada pela Avenida Paulista, de preferência caminhando. Melhor horário: das 20 às 22h. Sugestão vá da Augusta até a Pamplona, por exemplo, atravesse a avenida e volte pela outra calçada. Dá até para entrar no Trianon, que está iluminado (há policiamento). As fachadas dos edifícios estão muito enfeitadas e repletas de luzes. E o portal do Natal impressiona. A garotada merece.

Quando alguém pergunta onde nasci, costumo responder: “Logo ali, numa travessa da Avenida Paulista.” E é a pura verdade. Nasci na Maternidade São Paulo (que não existe mais), na Frei Caneca.

A Paulista sempre fez (e faz) parte da minha vida.

Nos anos 60, trabalhei na sede de um grupo empresarial situada em edifício quase na esquina da Peixoto Gomide.


Entre os anos 70 e 80, dei sequência a um importante período de minha carreira na Jovem Pan, no edifício Sir Winston Churchill, na esquina com a Joaquim Eugênio de Lima (e quem foi Joaquim Eugênio? Conto abaixo).

No mesmo período, também atuei na Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo), inclusive participando do processo de aquisição do imóvel da entidade.

Nos anos 90, prestei serviços à gerência de comunicação de um banco italiano localizado em prédio na esquina da Campinas.

De lá para cá, a família foi se envolvendo mais e mais com a Paulista. Minha filha Vanessa, que também nasceu na Maternidade São Paulo, já trabalhou na avenida, em empresa de relações humanas. Priscila, minha outra filha, trabalhou em empresa de tecnologia da informação... na Paulista.

Agora que minha avenida preferida está toda enfeitada para as festas do Natal, vou levar meu neto Felipe, de quase dois anos, para ver o Papai Noel, as luzes coloridas que cobrem os 2.800 metros da Paulista. E também o lindo Presépio da Maternidade Santa Catarina... onde ele nasceu. É, na Paulista.

TODO PAULISTANO
TEM ALGO A CONTAR


É certo que todo paulistano tem algo a contar sobre “a mais paulista das avenidas”, que está comemorando 120 anos. Inaugurada oficialmente em 8 de dezembro de 1891, ela foi a primeira via planejada da maior cidade do País e é considerada, até hoje, o principal cartão postal de São Paulo, o símbolo da capital.

Quando foi aberta por iniciativa do engenheiro Joaquim Eugênio de Lima, não passava de uma tentativa de criar na cidade uma nova área residencial, distante dos já consolidados bairros de Higienópolis e Campos Elíseos e dos arredores da Praça da República. Há 12 décadas, quando nasceu, só havia mato na região.


A abertura da avenida ao tráfego foi a assim divulgada em uma pequena nota na capa do jornal O Estado de S. Paulo: “Ao meio-dia, os primeiros bondes a cruzar a recém-inaugurada via partiram da Rua Boa Vista, no centro, com destino à Paulista.”

A Paulista já foi rota de passagem indígena, depois foi utilizada como caminho de tropeiros. Em todos os tempos, ela sempre teve importância. Por isso o urbanista Joaquim Eugênio de Lima pensou em fazer uma avenida nos padrões internacionais.

Tanto que foi pioneira: a primeira via paulistana a receber asfalto, importado da Alemanha, em 1909. Até então as ruas eram de terra ou cobertas por paralelepípedos.

Seu perfil foi mudando com a construção de casarões, que dela faziam, nas primeiras décadas do século passado, um dos endereços preferidos da alta sociedade paulistana.

No século 19, era impossível imaginar que uma colina que cortava parte de São Paulo viria a se tornar um dos principais centros financeiros da capital, com edifícios que a transformaram totalmente, por onde circulam diariamente cerca de 1,5 milhão de pessoas.


Se a cidade ganhou uma paisagem urbana única, que atrai a atenção de turistas, urbanistas e arquitetos de várias partes do mundo, também perdeu, de acordo com defensores do patrimônio histórico, com a demolição dos símbolos da São Paulo do início do século 20. Hoje, apenas cinco casarões continuam de pé.

De qualquer maneira, a avenida de 120 anos, com centenas de edifícios, mais de 90 antenas de emissoras de rádio e TV e inúmeros helipontos, é “a síntese do desenvolvimento da capital paulistana”, de acordo com Antônio Franchini, presidente da associação “Paulista Viva”.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Curtindo um espresso, sua espuma mágica, e o sucesso do café brasileiro em Roma


O primeiro espresso que experimentei foi em Roma. Algo totalmente diferente daquele cafezinho de coador que tomávamos aqui no Brasil. Foi nos anos 70, quando acompanhava as atividades da seleção brasileira em uma excursão pela Europa. Hoje, o espresso é servido em todos os cantos do Brasil – e do mundo.

E, de acordo com as últimas notícias, uma das duas mais badaladas cafeterias de Roma serve hoje o melhor cafezinho da capital italiana, com a sua espuma mágica e secreta. Detalhe: a maioria dos seus grãos é do Brasil.

Aliás, espresso ou expresso? Qual a grafia correta? Embora já esteja tudo muito bem explicado, tem gente ainda com dúvida. Quando se refere a café, adota-se a grafia espresso. Por que? Espresso, usado originalmente na Europa, vem do italiano e sua raiz guarda relação com o verbo latino que, em português, deu origem a espremer.

Não há registro de espresso nos dicionários de língua portuguesa. Daí a dúvida a respeito da grafia: café expresso ou espresso? Expresso significa rápido e um café “espresso” (de espremido em português), é o feito sob pressão.

De acordo com os especialistas, espresso deve ser aceito porque o vocabulário corrente admite palavras estrangeiras, como shopping, que é do inglês. Então, é errado dizer expresso? Não, porque o café espremido (ou espresso) na máquina fica pronto entre 15 e 20 segundos, rapidamente e, portanto, expresso.


Muito ligada ao café, especialmente ao café gourmet, surge a palavra barista. Como explica Vanessa Mills (foto), responsável pelo desenvolvimento do produto café, produção, distribuição, marketing e comunicação da marca Santo Grão, trata-se de “um profissional especializado em cafés de alta qualidade, ou cafés especiais, cujo principal objetivo é alcançar a ‘xícara perfeita’. O barista também trabalha criando novos drinks baseados em café, utilizando-se de licores, cremes, bebidas alcoólicas, entre outros”.

O bom barista tem de ser profundo conhecedor de todas as etapas do café, desde o cultivo da planta, do processamento e beneficiamento do grão, torra e moagem, além, dos detalhes de extração da bebida, seja em máquinas ou em outros métodos de preparo.

“Ele é o equivalente ao sommelier do vinho, acrescenta Vanessa Mills, especializada em cafés gourmet, que aprendeu a arte de barista na Nova Zelândia.

Os cafés especiais, ou gourmet, não dependem apenas da qualidade do pó. O segredo está em quem o tira, e como é tirado. Tudo influencia na definição do sabor. “Barista sem amor pela profissão, não traduz o verdadeiro sabor do café na xícara”, afirma Vanessa. Ela ainda acrescenta “Essa profissão é uma arte, o barista procura traduzir o sabor do café e colocá-lo na xícara”.

CAFÉ DO BRASIL, SUCESSO
NAS CAFETERIAS DE ROMA


Originário da África, o café foi consagrado na Europa, onde nasceram as cafeterias. No século XVIII, transformou-se na bebida da burguesia.

Hoje, em Roma, junto a uma das fontes mais frequentadas pelos turistas (passam, por ano, 27 milhões deles, ansiosos pelas belezas e delícias italianas), estão instaladas duas cafeterias famosas. Quem as mostrou recentemente pela Rede Globo foi a correspondente Ilze Scamparini.

A ‘Santo Eustáquio’ oferece os cafés mais consumidos. O seu espresso foi eleito o melhor de Roma. Seus proprietários não permitem gravações de seus equipamentos. Os segredos de sua espuma mágica não são revelados a ninguém. Além do espresso, também são destaques os especiais gran caffe e gran capucino, ainda mais cremosos. A maioria dos seus grãos é do Brasil.

No ‘Tazza D'oro’, o movimento também é estimulante. A qualquer hora do dia há espera no balcão e a máquina de espresso, - inventada em Turim em 1884 -, está sempre em continuo movimento. A velha máquina de torra é também uma atração.

Também tornou-se histórica na casa o ritual da “granita”, a raspadinha de café, feita com matéria-prima brasileira, tostada no local. A protagonista da casa faz sucesso mesmo no inverno: a granita é servida com muito chantili.

Para fazer a “granita” é preciso deixar o café esfriar na temperatura ambiente, depois colocá-lo na geladeira e só mais tarde no congelador. Em 48 horas, o café açucarado vira gelo.

A "monachela" chega na xícara transparente, para lembrar que foi o hábito de uma monja que inspirou esta mistura: café, chocolate e chantili. É um café doce e aromático.